Biografia dos Pioneiros

Maria Modesto Cravo

Nasceu em 16 de abril de 1889 em Uberaba – MG e faleceu em 08 de agosto de 1964, em Belo Horizonte, onde se encontrava em tratamento de pertinaz moléstia. Filha de João Modesto dos Santos e Ermelinda Alves dos Santos. Casou-se em 1915, com o Sr. Nestor Cravo, da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais.

Em 1916, após dar à luz à sua primeira filha, Eurythimia, começou a manifestar problemas espirituais. Após consultas infrutíferas, foi lavada à Sacramento, onde realizou tratamento espiritual com o Prof. Eurípedes Barsanulfo. Após três meses de tratamento espiritual, de volta à Uberaba, começou a desenvolver sua mediunidade, inicialmente no grupo espírita do Sr. José Ávila de Pina e no Centro Espírita Uberabense. Em 1919, fundou o Ponto Bezerra de Menezes, que desenvolvia amplas tarefas de assistência material e espiritual. Nessa época, iniciou o natal dos pobres, que era realizado na sede do Ponto Bezerra de Menezes, à Rua Bernardo Guimarães, 36.

Organizava também, campanhas assistenciais para os hansenianos, tuberculosos, cegos e presidiários. A assistência espiritual no Ponto consistia em: passes e água fluidificada, na sede e no domicílio dos assistidos, evangelização, mensagens mediúnicas e desobsessão. Do Ponto partiu a ideia da fundação do Sanatório Espírita de Uberaba - S.E.U., talvez por sugestão de Eurípedes Barsanulfo orientado pelo espírito do Dr. Bezerra de Menezes. Depois de muitos anos, a obra foi concluída e inaugurada em 31 de dezembro de 1933. Apesar de o patrimônio do Sanatório ter sido incorporado ao Centro Espírita Uberabense e o Ponto desfeito; D. Modesta, como era chamada, continuou ao lado de todos os pioneiros, à frente dos destinos da Casa, até a sua desencarnação.

Além das tarefas como mãe e “segunda mãe” de tantos filhos, mantinha receituário mediúnico, através da psicografia, em sua residência, à Rua Bernardo Guimarães, 34, atendendo as cidades de todo o Brasil. Participou também das reuniões doutrinárias e mediúnicas do Centro Espírita Uberabense e Sanatório Espírita de Uberaba. Através de sua mediunidade é que Dr. Inácio Ferreira, teve os subsídios necessários para a edição de todos os seus livros.

Abdon Alonso y Alonso

Companheiro de primeira hora do S.E.U. De espírito empreendedor, participou ativamente dos esforços da construção, do Sanatório Espírita de Uberaba - S.E.U., sendo que estando esta obra, paralisada por falta de recursos, generosamente, ele mandou terminá-la por sua conta. Também dividiu com dois confrades a compra da gráfica de “A Flama Espírita” e ajudou na construção do “Lar Espírita”.

Henrique Von Krüger

Médico, político e espírita, em todos os campos de sua atuação revelou-se como um imperecível monumento de caridade.

Filho de Carolina Krueger de Carvalho e enteado de Pedro de Carvalho, casado com D. Maria Felipe, alma irmã que lhe acompanhou na sua vasta obra de benemerência. Hábil farmacêutico clinicava de boa vontade; e com sacrifício e luta diplomou-se em medicina, transformando-se em médico da pobreza.

Participou ativamente do “Ponto Bezerra de Menezes”, entidade que originou o Sanatório Espírita de Uberaba. Lançou a pedra fundamental do edifício do Sanatório Espírita de Uberaba - S.E.U. em 06 de janeiro de 1928, como presidente do Centro Espírita Uberabense.

Desencarnou em 02 de agosto de 1949 e expressando sua vida de bondade teve o enterro mais concorrido de Uberaba.

Inácio Ferreira

O ilustre e benquisto médico, escritor e filantropo Dr. Inácio Ferreira é mais um grande companheiro na causa espírita que, após uma existência longa e rica de boas obras, regressa ao Plano Espiritual. Sua desencarnação, ocorrida às 20h, do dia 27 de setembro de 1988, nesta cidade, verificou-se em consequência inevitável de causas patológicas diversas, a partir de pertinaz, enfisema pulmonar, que o retinha ao leito de enfermo, considerando-se que a tanto concorreu a avançada idade de 84 anos.

Era o Sr. Dr. Inácio Ferreira de Oliveira natural de Uberaba, nascido de 15 de abril de 1904, filho do saudoso casal Sr. Jacinto Ferreira de Oliveira (Cintico), antigo pecuarista, e da Sra. Maria Lucas de Oliveira (marica), deixou viúva a Sra. Aparecida Valicenti Ferreira e uma irmã, a Sra. Noêmia Ferreira de Oliveira Viana, viúva do engenheiro Eurico Viana, ambas figuras distintas da sociedade Uberabense.

O querido irmão egresso da vida terrena exercia com exemplar dedicação e proficiência, o cargo de diretor clínico do Sanatório Espírita de Uberaba, desde a sua inauguração em 31 de dezembro de 1933.

Esta condição, vale salientar que o então jovem facultativo formado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, no início não era espírita. Mas, observando, com sincero espírito de pesquisa e de zelo profissional, os diferentes fatos neuropsíquicos relacionados com os enfermos internados, constatou que a terapia espírita se revela excelente complemento ao tratamento das doenças nervosas e mentais.

Assim, iniciou seus estudos psicoterápicos, aos quais, aliados à experiência acumulada neste mister, resultaram na publicação de seus livros especializados. Até hoje, tem constituído bibliografia de interesse nacional e mesmo, transporta as fronteiras do país, conforme o atestam, sob jamente, a correspondência e as publicações alusivas que se avolumam na preciosa biblioteca que deixou. Relacionemos estes livros, quase todos reeditados, inclusive pela federação espírita do Estado de São Paulo: “Espiritismo e Medicina” (também editado em castelhano), “Novos Rumos à Medicina” (2 volumes), “Tem Razão? ”, “A Psiquiatria em face da Reencarnação” e “Peregrinos da Vida”.

Os demais livros que publicou, sempre em edição particular, versam assuntos e colocações pessoais variadas. Citemos pois: “Conselhos ao meu filho” (também em castelhano), “Esquetes”, “Contos”, “A Religião do Índio Brasileiro”, “Subsídios para a História Eurípedes Barsanulfo”, “Estradas da Vida”, “Onde Mora o Esquecimento? ”, “Alceu de Souza Novais – Jornalista e Educador”, “Histórico da Maçonaria de Uberaba”, além de outras obras que se acham inéditas e algumas em preparo, de temática ligeira.

Com a estreita e inestimável colaboração da inesquecível Da. Maria Modesto Cravo e do generoso filantropo Sr. Abdon Alonso y Alonso, ainda assim apoiado pelos valorosos jovens integrantes da União da Mocidade Espírita de Uberaba, conseguiu o Dr. Inácio Ferreira ver concretizada em apenas 02 anos (inicio 01 de maio de 1947 e término 01 de maio de 1949) a sua ideia-inspiração de construir o Lar Espírita – instituição fraterna que abriga e educa meninas desvaliadas.

Finalizando a situação de seus feitos, no registro sucinto deste necrológico, recordemos ainda a extraordinária participação na imprensa doutrinária. Haja vista que, na Segunda fase de “A Flama Espírita”, desde o ano de 1940, o Dr. Inácio Ferreira, secundados por um grupo de companheiros idealistas e esclarecidos, mantinha não sem consideráveis dificuldades o nosso jornal com tiragem semanal (A Flama Espírita, MG – 22 de outubro de 1988)

Iremos agora reproduzir parte de entrevista feita com o Dr. Inácio Ferreira, pelo Dr. Elias Barbosa, em 1970:

1 – Como foi, Dr. Inácio, que o senhor se tornou espírita?

Pela recusa de vários médicos em atender a responsabilidade do funcionamento do Sanatório Espírita de Uberaba, na década de trinta – perante as autoridades e a sociedade – pelo prejuízo que poderia acarretar as suas clínicas, aceitei o convite, com decisão e desprendimento.

Não conhecia e nada entendia do Espiritismo.

Na véspera da inauguração do Sanatório por intermédio de Da. Maria Modesta, então, diretora administrativa recebeu 02 livros com dedicatória do Dr. Bezerra de Menezes:

1 – Evangelho de Kardec;

2 – Código Penal Brasileiro aos quais pouco liguei.

Somente 1 ano mais tarde, após inúmeras observações de casos maravilhosos de cura no Sanatório, sem que minha ciência materialista e minha terapêutica para isso contribuíssem, tive a curiosidade despertada para aqueles 2 códigos – Divino e Humano. Lendo o 1º, deparei com os conhecimentos vedados pela cortina materialista que vieram à tona do raciocínio, como despertos pelo passado de outras reencarnações. Revolvi as demais obras espíritas como espécie de recordação.

Desperto, com a leitura e a experiência, até então, procurei ver e sentir, mais de perto os trabalhos de curas e doutrinações, rendendo-me à maravilha da 3ª revelação, entregando-me de corpo e alma, ao estudo, experiências e consequentes resultados através de artigos, conferências e livros.

2 – De sua valiosa bibliografia, quais os livros que foram traduzidos para outros idiomas?

Para que línguas foram vertidas?

“Espiritismo e Medicina”, para o Espanhol, “A Psiquiatria em Face da Reencarnação” para o Inglês e inúmeros artigos para o Francês, Italiano, Grego, holandês, principalmente transcrições de partes dos “Novos Rumos à Medicina” do qual estou terminando o 3º volume para ser traduzido e publicado na Inglaterra.

Adroaldo Modesto Gil

O Nasceu em Palmital, Estado de São Paulo, no dia 02 de maio de 1935, filho de Luiz Modesto Gil e Stella Gonçalves Gil.

Formou-se em medicina, pela Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, em Uberaba – MG, no ano de 1961.

Em 1965, fez cursos de especializações em Psicologia Médica, Psiquiatria e Psicoterapia na Faculdade de Medicina de Madrid – Espanha.

Foi diretor do departamento médico da Casa Transitória da Federação Espírita do Estado de São Paulo. Sócio fundador e secretário da Associação Médico Espírita de São Paulo.

Fundador do Grupo de Estudos Bittencourt Sampaio – GEBS, departamento do Cento Espírita Uberabense. Relator dos Estatutos e Presidente de 1972 a 1982. Chefe do departamento de Neuropsiquiatria da Associação Médico-Espírita de São Paulo, 1969 a 1971.

O Começou novamente a trabalhar no Sanatório Espírita de Uberaba - S.E.U. em 1976. Médico do Ambulatório Bezerra de Menezes no Centro Espírita Uberabense de 1972 a 1981, atendendo gratuitamente. Vice-Presidente da Comunhão Espírita Cristã de 1977 a 1981. Presidente da Comunhão Espírita Cristã de 1981 a 1993.

Quando colhido pela desencarnação, exercia as funções de Professor Adjunto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro e diretor clínico do S.E.U., cargo ocupado após a desencarnação do Dr. Inácio Ferreira, a 27 de setembro de 1988.

Deixou vários trabalhos publicados e revistas especializadas e na imprensa espírita de nosso país, notadamente no boletim da Associação Médico-Espírita de São Paulo.

Faleceu na madrugada de 14 de setembro de 1993, em consequência de graves problemas cardíacos com 58 anos de idade. Deixou a esposa, Sra. Jocely e os seguintes filhos: Adolfo, Alexandre, Aulus, André e Luciana. Da família e dos seus amigos, Dr. Adroaldo sempre receberá a gratidão e o amor, pela exemplificação de trabalho, abnegação, devotamento, renúncia e amor, nos pequenos gestos do dia a dia, e grandes em sua essência cristã, testemunhados ao longo de sua jornada terrena.

De acordo com o relato anterior, vimos que o número de profissionais técnicos, e mais especificamente, de médicos era restrito, tendo em vista o grande volume de pacientes. Assim, era humanamente impossível atender as necessidades clínicas de todos.

Do ponto de vista clínico, o paciente psiquiátrico é um paciente especial “corpo são, em mente sã”, conhecidos ditado que mostra a gama de problemas clínicas e até psicossomáticos que encontramos numa instituição psiquiátrica, de regime fechado.

Nos últimos anos, o número de médicos vem aumentando; permitindo uma melhor qualidade do tratamento, no que tange à diminuição do sofrimento físico e psíquico do nosso paciente.

Há quatro anos, faço, predominantemente, o atendimento clínico dos pacientes psiquiátricos ali internados; podendo assim diminuir a ansiedade de não ser compreendido nas suas dores.

Devemos admitir que apesar de, progressivamente, atingirmos os objetivos de uma “Comunidade Terapêutica Espírita”, ainda está muito aquém de fazer um atendimento clínico de boa qualidade, ou seja, com possibilidade de:

Acompanhamento sistemático de todos os problemas;

Realização de exames laboratoriais, radiológicos, etc.

Equipamentos e pessoal treinado para acompanhamento de doenças crônicas em pacientes psiquiátricos; visto que, os hospitais clínicos não se interessam pelos pacientes psiquiátricos com problemas clínicos;

Fácil e rápida drenagem de pacientes com problemas clínicos graves para hospitais especializados;

E outros.

Assim sendo, continuamos a nossa trajetória de ascensão à tão almejada “Comunidade Terapêutica Espírita”.

Também são pioneiros e deixaram seus nomes escritos na história do Lar Espírita:

Emmanoel Martins Chaves

(Lilito Chaves)

Roland Chaves Mendes